Eis aqui as últimas palavras proferidas a respeito de uma era que infelizmente encontrou seu fim.
Devo dizer, contudo, que esta foi uma época realmente inesquecível. A melhor época escolar da minha vida e agora será para sempre uma lembrança capaz de me fazer viva.
Obrigada Nanna por ter escrito juntamente comigo a história do Utopia. Para mim amizade está intimamente relacionada à parceria e vc foi e continua sendo uma grande parceira e amiga. Não posso portanto despedir-me sem dizer: "Freundin, ich liebe dich!" "Vida longa e próspera!"
Creio eu que este adeus dito aqui servirá apenas para concluir uma fase que acabou em nossas vidas e para proporcionar ao Utopia as devidas pompas que ele mereçe, já que representou essa tal fase. Também aproveito o espaço para abortar nosso mais novo projeto (o Tampico's Nights) porque simplesmente não rolou. Desejo-nos sorte e sabedoria para administrar nossa amizade de longe e para saber aproveitar as novas aventuras que virão.
Um grande beijo a todas as HHG's e aos que passaram um dia pelo Utopia. Ao revoir!
Esse é o esparro, o ódio, a paixão e o sofrimento. Quando uma dose de Rum se torna um grande acalento.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
segunda-feira, 7 de março de 2011
Renúncia
Não vejo mais motivos pra escrever aqui, não mais estou em companhia de minha amiga Tayla Vieira, portanto, está tudo acabado. Possivelmente farei outro blog que represente esse meu momento solo. Isso é tudo, foi eterno enquanto durou.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Encruzilhada
Atenção: Isso é um post desabafo. Portanto, esse post pode não acrescentar nada em sua vida!
Eu já pensei mto a respeito, mas não encontrei o sentido da vida. Nem o "pra frente" serve como resposta porque as vezes (em muitas delas) vc deve "voltar" no tempo para se perdoar ou perdoara alguém, para procurar a peça que faltava e poder desvendar algum "enigma"ou simplesmente para reviver algo que já passou tempos atrás.
Já ouvi diversas vezes que nada é por acaso e que Deus está por trás de tudo mas, e se isso for ilusão? E se a vida for como uma bomba-relógio, sempre em contagem regressiva, para mostrar-nos que a morte é realmente o fim? E se, numa explosão de realidade todas as nossas certezas caírem por terra, ainda seremos algo? Ainda poderemos nos considerar lúcidos?
Fato é, que nossa razão limita-se a supor. Ela é ainda mto frágil para concluir. Assim, continuo (ou continuamos, quem sabe) na mesma encruzilhada de dúvidas. E finalizo então com essa frase tão sábia e tão cabível aqui: "Só sei que nada sei".
Eu já pensei mto a respeito, mas não encontrei o sentido da vida. Nem o "pra frente" serve como resposta porque as vezes (em muitas delas) vc deve "voltar" no tempo para se perdoar ou perdoara alguém, para procurar a peça que faltava e poder desvendar algum "enigma"ou simplesmente para reviver algo que já passou tempos atrás.
Já ouvi diversas vezes que nada é por acaso e que Deus está por trás de tudo mas, e se isso for ilusão? E se a vida for como uma bomba-relógio, sempre em contagem regressiva, para mostrar-nos que a morte é realmente o fim? E se, numa explosão de realidade todas as nossas certezas caírem por terra, ainda seremos algo? Ainda poderemos nos considerar lúcidos?
Fato é, que nossa razão limita-se a supor. Ela é ainda mto frágil para concluir. Assim, continuo (ou continuamos, quem sabe) na mesma encruzilhada de dúvidas. E finalizo então com essa frase tão sábia e tão cabível aqui: "Só sei que nada sei".
domingo, 26 de dezembro de 2010
Fim de Ano
Bem, devo dizer que neste mundo só existem dois tipos de pessoas para mim: aqueles que são meus amigos e aqueles que não são. O grupo de amigos engloba todos os tipos de pessoas, desde os parentes como avó, mãe, primos, tios e etc, até aqueles amigos que temos o privilégio de conhecer pela vida.
Este ano, por mais difícil que possa parecer, devido às minhas atitudes descrentes diante da sociedade e das pessoas, pude fazer novas amizades e fortalecer outras poucas, mas de grande importância, que tinha. Todos os meus amigos tem alguma característica que admiro.
Se pudesse me definir diria que não sou bonita, não sou legal ou cativante e não tenho nenhum tipo de atrativo em relação a minha personalidade. Não sei demonstrar o que sinto por medo de parecer idiota, vivo me questionando sobre o mundo quando deveria estar fazendo algo de útil e ainda por cima vivo constantes crises existencialistas que, felizmente, nunca são públicas. Mesmo assim, por incrível que pareça, existem aqueles que aindam gostam de mim.
Escrevi tudo isso para agredecer a todos os meus amigos que aceitaram meus defeitos, minha falta de objetividade, minha frieza em momentos que necessitavam de delicadeza e meus escândalos (não tão raros =P). Enfim, todos aqueles, que de longe ou de perto, torceram por mim.
Feliz Natal atrasado e um próspero Ano Novo adiantado.
Este ano, por mais difícil que possa parecer, devido às minhas atitudes descrentes diante da sociedade e das pessoas, pude fazer novas amizades e fortalecer outras poucas, mas de grande importância, que tinha. Todos os meus amigos tem alguma característica que admiro.
Se pudesse me definir diria que não sou bonita, não sou legal ou cativante e não tenho nenhum tipo de atrativo em relação a minha personalidade. Não sei demonstrar o que sinto por medo de parecer idiota, vivo me questionando sobre o mundo quando deveria estar fazendo algo de útil e ainda por cima vivo constantes crises existencialistas que, felizmente, nunca são públicas. Mesmo assim, por incrível que pareça, existem aqueles que aindam gostam de mim.
Escrevi tudo isso para agredecer a todos os meus amigos que aceitaram meus defeitos, minha falta de objetividade, minha frieza em momentos que necessitavam de delicadeza e meus escândalos (não tão raros =P). Enfim, todos aqueles, que de longe ou de perto, torceram por mim.
Feliz Natal atrasado e um próspero Ano Novo adiantado.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Bad Obsession - Guns N' Roses
I can't stop thinkin'
Thinking 'bout sinkin'
Sinkin' down into my bed
I call my mother
She's just a cunt now
She said I'm sick in the head
She said you ain't special
So who you foolin'
Don't try ta give me a line
But I can't stop thinkin' 'bout seein' ya
One more time
(oh no)
But I already left you
And you're better off left behind
It's a bad obsession
It's always messin'
It's always messin' my mind
It's a bad obsession
It's always messin'
It's always messin' my mind
Too bad you're fucked up
I used to be wasted
Always tried to take it
Take it down into my vein
I call the doctor
He's just another
He said I'm sick in the brain
He said you ain't special
So who you foolin'
Don't try ta give me a line
But I can't stop thinking 'bout doin' it
One more time
(oh no)
But I already left you
And you're better off left behind
(oh yeah)
It's a bad obsession
It's always messin'
It's always messin' my mind
It's a bad obsession
It's always messin'
It's always messin' my mind
So bad...
Boy
It's a
It's a
Heads up
It's a bad obsession
It's always messin'
It's always messin' my mind
It's a bad obsession
It's always messin'
It's always messin' my mind
But I can't stop thinking 'bout doin' it
One more time
(oh no)
See I already left you
And you're better off left behind
(oh no, oh no)
It's a bad obsession
And you're always messin' my mind
See I already left you
And you're better off left behind
Uh huh...no
Maybe you'll do better next time
Punk!!
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Lágrimas de chuva
A chuva que cai lá fora, verdejando a vida e acinzentando o céu, cai também dentro de mim, transfigurando em sal a amargura insubstancial de outrora.
É como se não houvesse mais lugar para tanto infortúnio em meu peito e a pouca esperança que eu tinha, tivesse se dissolvido em muco_o qual impregnou os lenços de papel a pouco jogados no lixo.
E assim meus dias se esboçam, sem que eu ainda tenha encontrado meu lugar no mundo. E eu sigo, aos tropeços, pelo caminho mais incerto e duvidoso, mais cruel e tortuoso, mais traiçoeiro e doloroso dos caminhos. Não vejo flores nem luz, só uma densa escuridão, silenciosa e gélida que vela pacientemente um fim distante, o qual ainda não estou certa se será um mapa ou uma cruz.
É como se não houvesse mais lugar para tanto infortúnio em meu peito e a pouca esperança que eu tinha, tivesse se dissolvido em muco_o qual impregnou os lenços de papel a pouco jogados no lixo.
E assim meus dias se esboçam, sem que eu ainda tenha encontrado meu lugar no mundo. E eu sigo, aos tropeços, pelo caminho mais incerto e duvidoso, mais cruel e tortuoso, mais traiçoeiro e doloroso dos caminhos. Não vejo flores nem luz, só uma densa escuridão, silenciosa e gélida que vela pacientemente um fim distante, o qual ainda não estou certa se será um mapa ou uma cruz.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Felicidade capital
Felicidade, este sim é um conceito com várias definições. O ser humano está sempre procurando e, se fosse fácil, poderíamos digitar no google "Onde e como se encontrar a felicidade" mas este, munido de toda sua objetividade diria: pesquisa não encontrada. Lógico que também haveria a possibilidade de se deparar com várias indicações de livros de auto-ajuda mas este, meus caros, seria o primeiro passo para bater na porta de um analista.
Na visão simplista de um jovem garoto pertencente às classes C, D e E, o sentimento se definiria em apenas uma palavra: dinheiro. Dinheiro pra pagar as contas e no final do mês curtir uma diversãozinha barata. Na visão do jovem menino rico, aquele que usufrui das verdinhas plantadas no jardim particular e que são servidas como alface e rúcula no almoço, a felicidade estaria onde o poder e as influências tivessem livre acesso para continuar e, às vezes, até aumentar seu serelepe jardinzinho.
A felicidade que nos é vendida e catequizada dia após dia nada mais é do que o titio Marx chama de "luta de classes". Para quem não sabe essa é a relação dominante e dominado e que aqui terá a conotação ganhador e perdedor. Deixa eu explicar melhor: sabe aquela sua promoção no emprego? Pois é, você está feliz e alguém foi rebaixado de cargo. Sabe aquela sua namorada incrível que nem mesmo você sabe como conseguiu arranjar? Pois é, amiguinho, ela concedeu uma tonelada de negativas a caras que eram tão legais quanto você e capazes de fazê-la feliz. E não vamos esquecer do vestibular onde você sonha todos os dias em dizimar toda sua concorrência pra conseguir uma vaguinha para o "futuro perfeito".
O fato é que esta felicidade capitalizada em ganhos e perdas, guerras, disputas e corrupção está tão impregnada nesta sociedade que você se vê em um labirinto de apenas uma saída: seguir o que ela pensa ser o caminho comum à todos. Diploma, emprego, dinheiro, casamento, família... pouco importa como você conseguirá tudo isso, o que importa é que se você não conseguir será taxado como vagabundo, solteirão, folgado... E vai da sua parte querer ser carimbado com uma estrelinha dourada ou receber uma faixa com "LOOSER" escrito em letras garrafais.
Ninguém se importa com seus sentimentos, o mundo é cruel e não adianta querer mudá-lo porque, querendo ou não, você será moldado como seus pais, tios, avós, bisavós, tataravós.... Agora me digam, adianta ter esperaças?
Na visão simplista de um jovem garoto pertencente às classes C, D e E, o sentimento se definiria em apenas uma palavra: dinheiro. Dinheiro pra pagar as contas e no final do mês curtir uma diversãozinha barata. Na visão do jovem menino rico, aquele que usufrui das verdinhas plantadas no jardim particular e que são servidas como alface e rúcula no almoço, a felicidade estaria onde o poder e as influências tivessem livre acesso para continuar e, às vezes, até aumentar seu serelepe jardinzinho.
A felicidade que nos é vendida e catequizada dia após dia nada mais é do que o titio Marx chama de "luta de classes". Para quem não sabe essa é a relação dominante e dominado e que aqui terá a conotação ganhador e perdedor. Deixa eu explicar melhor: sabe aquela sua promoção no emprego? Pois é, você está feliz e alguém foi rebaixado de cargo. Sabe aquela sua namorada incrível que nem mesmo você sabe como conseguiu arranjar? Pois é, amiguinho, ela concedeu uma tonelada de negativas a caras que eram tão legais quanto você e capazes de fazê-la feliz. E não vamos esquecer do vestibular onde você sonha todos os dias em dizimar toda sua concorrência pra conseguir uma vaguinha para o "futuro perfeito".
O fato é que esta felicidade capitalizada em ganhos e perdas, guerras, disputas e corrupção está tão impregnada nesta sociedade que você se vê em um labirinto de apenas uma saída: seguir o que ela pensa ser o caminho comum à todos. Diploma, emprego, dinheiro, casamento, família... pouco importa como você conseguirá tudo isso, o que importa é que se você não conseguir será taxado como vagabundo, solteirão, folgado... E vai da sua parte querer ser carimbado com uma estrelinha dourada ou receber uma faixa com "LOOSER" escrito em letras garrafais.
Ninguém se importa com seus sentimentos, o mundo é cruel e não adianta querer mudá-lo porque, querendo ou não, você será moldado como seus pais, tios, avós, bisavós, tataravós.... Agora me digam, adianta ter esperaças?
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Pequenos Burgueses - Máximo Górki

Um dos melhores livros que já li. Estou com preguiça de fazer uma resenha da história, portanto, aqui vai um trecho:
"Quando dizeis que o mal se paga com o bem, vós vos enganais. O mal é uma qualidade que vos é inata. E por isso de pouco valor. O bem, vós inventastes e pagastes terrivelmente caro. E em virtude disso o bem é uma coisa valiosíssima, rara. Conclusão: colocar num mesmo plano o bem e o mal é inconveniente e inútil. E eu, em verdade, vos digo: pagai o bem com o bem somente! E nunca além do recebido, que é para não estimular no homem a tendência à usura. Porque o homem é ávido! Tendo recebido uma vez além do que lhe é devido, da próxima vai querer receber ainda mais. Mas não lhe pagueis menos do que lhe é devido. Porque, se o enganais uma vez, o homem é rancoroso; ele dirá de vós: são uns falidos! E deixará de respeitar-vos. E da próxima vez não será mais o ‘bem’ que ele vos fará. Ele se contentará, simplesmente, em vos dar uma esmola. Irmãos! Não há nada mais triste sobre a terra, nem mais repugnante, do que um homem dando uma esmola ao seu próximo. Pagai o bem estritamente com o bem. Quanto ao mal, pagai cem vezes mais. Sede pródigos aos retribuir ao próximo pelo mal que ele vos ocasionou. Se quando pedirdes um pão vos derem uma pedra, descarregai sobre sua cabeça uma montanha!"
Digno de Maquiavel, hein. O livro é uma peça teatral escrita em quatro atos, identifiquei várias partes cômicas e engraçadas criticando personagens russos da época que, na bem da verdade, não estão tão distantes de nossa realidade "moderna". Vale a pena ler =D
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Constantemente
Por Maria Clara Defendi Feliciano (HHG)
Penso em você constantemente
Como quem tem um desejo permanente
E mergulhando em lembranças passadas
Vejo o contorno de sua face esbranquiçada
Seu olhar simples, mas mesmo assim envolvente
Seu jeito tímido de um modo diferente.
Ao voltar mais um vez a realidade
Me sinto só, como se isso fosse uma novidade
Na verdade a um tempo, encontro-me nesse labirinto
Lutando intensamente contra o que eu sinto.
Para tentar não lembrar desse dilema
Procuro distrair-me com coisas pequenas
Idéias e pensamentos banais
Que não tornam os momentos especiais
E pouco adiantando meu esforço pra te esquecer
Me encontro, mais uma vez, pensando em você
Constantemente.
Penso em você constantemente
Como quem tem um desejo permanente
E mergulhando em lembranças passadas
Vejo o contorno de sua face esbranquiçada
Seu olhar simples, mas mesmo assim envolvente
Seu jeito tímido de um modo diferente.
Ao voltar mais um vez a realidade
Me sinto só, como se isso fosse uma novidade
Na verdade a um tempo, encontro-me nesse labirinto
Lutando intensamente contra o que eu sinto.
Para tentar não lembrar desse dilema
Procuro distrair-me com coisas pequenas
Idéias e pensamentos banais
Que não tornam os momentos especiais
E pouco adiantando meu esforço pra te esquecer
Me encontro, mais uma vez, pensando em você
Constantemente.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Perfume de mulher

Por algum motivo, que me deixa muito nervosa, nunca encontro os filmes que quero na locadora perto de casa, procurei por quatro e não tinha nenhum. Depois de, pela terceira vez na semana, receber um não com cara de tacho do dono da mesma, resolvi pegar um filme aleatório. Eis então que me deparei com "Perfume de mulher" (Scent of Women), já tinha ouvido falar do filme mas nunca havia me interessado. O filme é ótimo e Al Pacino está melhor do que nunca (ganhou até um Oscar de melhor ator). Aí está o melhor e mais libertino trecho do filme:
Frank Slade: Women! What can you say? Who made 'em? God must have been a fuckin' genius. The hair... They say the hair is everything, you know. Have you ever buried your nose in a mountain of curls... just wanted to go to sleep forever? Or lips... and when they touched, yours were like... that first swallow of wine... after you just crossed the desert. Tits. Hoo-ah! Big ones, little ones, nipples staring right out at ya, like secret searchlights. Mmm. Legs. I don't care if they're Greek columns... or secondhand Steinways. What's between 'em... passport to heaven. I need a drink. Yes, Mr Sims, there's only two syllables in this whole wide world worth hearing: pussy. Hah! Are you listenin' to me, son?
Frank Slade:Mulheres! O que você pode dizer? Quem as fez? Deus deve ter sido um puta gênio. O cabelo... Eles dizem que o cabelo é tudo, você sabe. Você já enterrou seu nariz em uma montanha de cachos... apenas queria dormir pra sempre? Os lábios... e quando você os toca, eram como o seu... seu primeiro gole de vinho... logo após atravessar o deserto. Os seios. Hoo-ah! Grandes, pequenos, os mamilos encarando de fora para você, como holofotes secretos. Mmm. Pernas. Não me importo se eles são colunas gregas... ou Steinways de segunda mão. O que tem entre elas... passaporte para os céus. Eu preciso de uma bebida. Sim, Sr Sims, há apenas duas sílabas em todo mundo que valham a pena ouvir: xota. Hah! Você está me ouvindo, filho?
Steinway: marca famosa por fabricar pianos.
Sim, meus queridos, Deus foi um puta gênio.
domingo, 31 de outubro de 2010
Carta marítima
Vinte milhas náuticas, 31 de outubro de 2010
Caro Leitor,
Me joguei no convés de um navio rumo ao desconhecido. Dentre tantas viagens ilusórias lá me encontrava, debruçada nas grades do parapeito, fumo no canto direito dos lábios, livro nas mãos e um autor contando histórias vagabundas mas cheias de alma.
Sim, por mais covarde que pareça, isso era uma fuga. Podem utilizar de todos os subterfúgios morais e sociais para me atacar, já está feito.
Não sei o que é pior: nunca ter partilhado de uma história com alguém, permanecendo seca como uma árvore infrutífera ou viver no limite da paixão repentina e ter o peito tão devastado que, nem o vômito gutural das palavras pudesse aliviar ou pelo menos conter a dor psicológica que vivencio desde então.
E ao anoitecer todos os navegantes se reuniam no salão de festas, vestidos de rostos juvenis e feições velhas, para celebrar a mórbida mediocridade de suas vidas.
Entre tantos cálices de vinho, cartas de truco e badernas se formando, no centro do palco dançava uma bailarina da companhia de dança contratada. Negra e de cachos até a cintura, o suar percorria seu corpo enquanto o ritmo hipnotizava.
Mais tarde, com um desejo fugaz, persegui-a, mordi seus lábios, beijei-a na língua e apertei-a contra meu corpo. No balanço enjoativo do navio tomei-a para mim e, posteriormente, com violenta e insensata raiva de minhas atitudes resolvi levar tudo até o fim, derrubei os livros sobre a mesa, aqueles novos e com cheiro de pinheiro recém cortado, para facilitar a perversão animal.
Funcionários, por via de regra, não se misturam ou se metem com passageiros. Por que então, Maria, meteste comigo? "Porque teus olhos cor de terra barrenta não eram desejo e sim um longo precipício de raiva, tristeza e solidão". Indaguei-a se havia sido por bondade mas, sobretudo, por pena. Ela balançou a cabeça afirmativamente.
Agora me atinha às estrelas, eram tão diferentes vistas no meio dessa imensidão azul, em São Paulo simplesmente não as via. E faziam meses que não via os olhos da paixão.
O rumo linear de meus pensamentos foram cortados pelos esbravejos do imediato sinalizando a fúria de Poseidon, tornados e tempestades se formavam logo mais. Assim, todos os passageiros, incluindo a mim, deveriam se dirigir aos aposentos. Se pudesse parar a chuva nos primeiros erros...
Em meu leito chorei pela segunda vez desde que minha sanidade havia sido tomada e como cristã e também brasileira, adepta de todo tipo de sincretismo religioso, roguei Deus, natureza, Iemanjá, Sol, Lua, astros, Buda, Satanás, Shiva, Zaratustra, gregos e romanos, mesmo não acreditando nessa porra toda, para que Baco, onde quer que estivesse, pensasse em mim e me embriagasse para todo sempre.
Da insanidade até meus amigos terrestres,
Saudações daquela vadia suja que sofre as misérias do amor
XXX
PS: gramática, vírgulas e crases são um inferno.
Caro Leitor,
Me joguei no convés de um navio rumo ao desconhecido. Dentre tantas viagens ilusórias lá me encontrava, debruçada nas grades do parapeito, fumo no canto direito dos lábios, livro nas mãos e um autor contando histórias vagabundas mas cheias de alma.
Sim, por mais covarde que pareça, isso era uma fuga. Podem utilizar de todos os subterfúgios morais e sociais para me atacar, já está feito.
Não sei o que é pior: nunca ter partilhado de uma história com alguém, permanecendo seca como uma árvore infrutífera ou viver no limite da paixão repentina e ter o peito tão devastado que, nem o vômito gutural das palavras pudesse aliviar ou pelo menos conter a dor psicológica que vivencio desde então.
E ao anoitecer todos os navegantes se reuniam no salão de festas, vestidos de rostos juvenis e feições velhas, para celebrar a mórbida mediocridade de suas vidas.
Entre tantos cálices de vinho, cartas de truco e badernas se formando, no centro do palco dançava uma bailarina da companhia de dança contratada. Negra e de cachos até a cintura, o suar percorria seu corpo enquanto o ritmo hipnotizava.
Mais tarde, com um desejo fugaz, persegui-a, mordi seus lábios, beijei-a na língua e apertei-a contra meu corpo. No balanço enjoativo do navio tomei-a para mim e, posteriormente, com violenta e insensata raiva de minhas atitudes resolvi levar tudo até o fim, derrubei os livros sobre a mesa, aqueles novos e com cheiro de pinheiro recém cortado, para facilitar a perversão animal.
Funcionários, por via de regra, não se misturam ou se metem com passageiros. Por que então, Maria, meteste comigo? "Porque teus olhos cor de terra barrenta não eram desejo e sim um longo precipício de raiva, tristeza e solidão". Indaguei-a se havia sido por bondade mas, sobretudo, por pena. Ela balançou a cabeça afirmativamente.
Agora me atinha às estrelas, eram tão diferentes vistas no meio dessa imensidão azul, em São Paulo simplesmente não as via. E faziam meses que não via os olhos da paixão.
O rumo linear de meus pensamentos foram cortados pelos esbravejos do imediato sinalizando a fúria de Poseidon, tornados e tempestades se formavam logo mais. Assim, todos os passageiros, incluindo a mim, deveriam se dirigir aos aposentos. Se pudesse parar a chuva nos primeiros erros...
Em meu leito chorei pela segunda vez desde que minha sanidade havia sido tomada e como cristã e também brasileira, adepta de todo tipo de sincretismo religioso, roguei Deus, natureza, Iemanjá, Sol, Lua, astros, Buda, Satanás, Shiva, Zaratustra, gregos e romanos, mesmo não acreditando nessa porra toda, para que Baco, onde quer que estivesse, pensasse em mim e me embriagasse para todo sempre.
Da insanidade até meus amigos terrestres,
Saudações daquela vadia suja que sofre as misérias do amor
XXX
PS: gramática, vírgulas e crases são um inferno.
Faroeste Caboclo
Estando eu sem inspiração para escrever, resolvi postar uma música que eu adoro. Pra mim ela é a epopéia de um cara que procurava seu lugar no mundo e é isso aí.. Recomendo!
"Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu
Quando criança só pensava em ser bandido
Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu
Era o terror da cercania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu
Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar
Sentia mesmo que era mesmo diferente
Sentia que aquilo ali não era o seu lugar
Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
E de escolha própria escolheu a solidão
Comia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de médico aos doze era professor
Aos quinze foi mandado pro reformatório
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror
Não entendia como a vida funcionava
Descriminação por causa da sua classe e sua cor
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem foi direto a Salvador
E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem
Ia perder a viagem mas João foi lhe salvar:
Dizia ele - Estou indo pra Brasília
Nesse país lugar melhor não há
Tô precisando visitar a minha filha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar
O João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no Planalto central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária viu as luzes de natal
- Meu Deus mas que cidade linda!
No Ano Novo eu começo a trabalhar
Cortar madeira aprendiz de carpinteiro
Ganhava cem mil por mês em Taguatinga
Na sexta feira ia pra zona da cidade
Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia muita gente interessante
Até um neto bastardo do seu bisavô
Um peruano que vivia na Bolívia
E muitas coisas trazia de lá
Seu nome era Pablo e ele dizia
Que um negócio ele ia começar
E Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
E ouvia às sete horas o noticiário
Que sempre dizia que seu ministro ia ajudar
Mas ele não queria mais conversa
E decidiu que como Pablo ele iria se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E sem ser crucificado a plantação foi começar
Logo, logo os maluco da cidade
Souberam da novidade
- Tem bagulho bom ai!
E o João de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali
Fez amigos, freqüentava a Asa Norte
Ia pra festa de Rock pra se libertar
Mas de repente
Sob uma má influência dos boyzinhos da cidade
Começou a roubar
Já no primeiro roubo ele dançou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
Violência e estupro do seu corpo
- Vocês vão ver, eu vou pegar vocês!
Agora Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal
Não tinha nenhum medo de polícia
Capitão ou traficante, playboy ou general
Foi quando conheceu uma menina
E de todos os seus pecados ele se arrependeu
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu
Ele dizia que queria se casar
E carpinteiro ele voltou a ser
- Maria Lúcia pra sempre vou te amar
E um filho com você eu quero ter
O tempo passa
E um dia vem na porta um senhor de alta classe com
dinheiro na mão
E ele faz uma proposta indecorosa
E diz que espera uma resposta, uma resposta de João
- Não boto bomba em banca de jornal
Nem em colégio de criança
Isso eu não faço não
E não protejo general de dez estrelas
Que fica atrás da mesa com o cu na mão
E é melhor o senhor sair da minha casa
Nunca brinque com um peixes de ascendente escorpião
Mas antes de sair, com ódio no olhar
O velho disse:
- Você perdeu a sua vida, meu irmão!
- Você perdeu a sua vida, meu irmão!
- Você perdeu a sua vida, meu irmão!
Essas palavras vão entrar no coração
- Eu vou sofrer as conseqüências como um cão.
Não é que o Santo Cristo estava certo
Seu futuro era incerto
E ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira
Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar
Falou com Pablo que queria um parceiro
Que também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia
E Santo Cristo revendia em Taguatinga
Mas acontece que um tal de Jeremias
Traficante de renome apareceu por lá
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que com João ele ia acabar.
Mas Pablo trouxe uma Winchester 22
E Santo Cristo já sabia atirar
E decidiu usar a arma só depois
Que Jeremias começasse a brigar
Jeremias maconheiro sem vergonha
Organizou a Roconha e fez todo mundo dançar
Desvirginava mocinhas inocentes
E dizia que era crente mas não sabia rezar
E Santo Cristo há muito não ia pra casa
E a saudade começou a apertar
- Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já está em tempo de a gente se casar
Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia Jeremias se casou
E um filho nela ele fez
Santo Cristo era só ódio por dentro
E então o Jeremias pra um duelo ele chamou
- Amanhã, as duas horas na Ceilândia
Em frente ao lote catorze é pra lá que eu vou
E você pode escolher as suas armas
Que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor
E mato também Maria Lúcia
Aquela menina falsa pra que jurei o meu amor
E Santo Cristo não sabia o que fazer
Quando viu o repórter da televisão
Que deu notícia do duelo na TV
Dizendo a hora o local e a razão
No sábado, então as duas horas
Todo o povo sem demora
Foi lá só pra assistir
Um homem que atirava pelas costas
E acertou o Santo Cristo
E começou a sorrir
Sentindo o sangue na garganta
João olhou pras bandeirinhas
E o povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro
E pras câmeras e a gente da TV que filmava tudo ali
E se lembrou de quando era uma criança
E de tudo o que vivera até ali
E decidiu entrar de vez naquela dança
- Se a via-crúcis virou circo, estou aqui.
E nisso o sol cegou seus olhos
E então Maria Lúcia ele reconheceu
Ela trazia a Winchester 22
A arma que seu primo Pablo lhe deu
- Jeremias, eu sou homem. Coisa que você não é
E não atiro pelas costas, não.
Olha prá cá filha da puta sem vergonha
Dá uma olhada no meu sangue
E vem sentir o teu perdão
E Santo Cristo com a Winchester 22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
E morreu junto com João, seu protetor
O povo declarava que João de Santo Cristo
Era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia da cidade não acreditou na história
Que eles viram da TV
E João não conseguiu o que queria
Quando veio pra Brasília com o diabo ter
Ele queria era falar com o presidente
Pra ajudar toda essa gente que só faz
Sofrer"
"Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu
Quando criança só pensava em ser bandido
Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu
Era o terror da cercania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu
Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar
Sentia mesmo que era mesmo diferente
Sentia que aquilo ali não era o seu lugar
Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
E de escolha própria escolheu a solidão
Comia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de médico aos doze era professor
Aos quinze foi mandado pro reformatório
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror
Não entendia como a vida funcionava
Descriminação por causa da sua classe e sua cor
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem foi direto a Salvador
E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem
Ia perder a viagem mas João foi lhe salvar:
Dizia ele - Estou indo pra Brasília
Nesse país lugar melhor não há
Tô precisando visitar a minha filha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar
O João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no Planalto central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária viu as luzes de natal
- Meu Deus mas que cidade linda!
No Ano Novo eu começo a trabalhar
Cortar madeira aprendiz de carpinteiro
Ganhava cem mil por mês em Taguatinga
Na sexta feira ia pra zona da cidade
Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia muita gente interessante
Até um neto bastardo do seu bisavô
Um peruano que vivia na Bolívia
E muitas coisas trazia de lá
Seu nome era Pablo e ele dizia
Que um negócio ele ia começar
E Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
E ouvia às sete horas o noticiário
Que sempre dizia que seu ministro ia ajudar
Mas ele não queria mais conversa
E decidiu que como Pablo ele iria se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E sem ser crucificado a plantação foi começar
Logo, logo os maluco da cidade
Souberam da novidade
- Tem bagulho bom ai!
E o João de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali
Fez amigos, freqüentava a Asa Norte
Ia pra festa de Rock pra se libertar
Mas de repente
Sob uma má influência dos boyzinhos da cidade
Começou a roubar
Já no primeiro roubo ele dançou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
Violência e estupro do seu corpo
- Vocês vão ver, eu vou pegar vocês!
Agora Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal
Não tinha nenhum medo de polícia
Capitão ou traficante, playboy ou general
Foi quando conheceu uma menina
E de todos os seus pecados ele se arrependeu
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu
Ele dizia que queria se casar
E carpinteiro ele voltou a ser
- Maria Lúcia pra sempre vou te amar
E um filho com você eu quero ter
O tempo passa
E um dia vem na porta um senhor de alta classe com
dinheiro na mão
E ele faz uma proposta indecorosa
E diz que espera uma resposta, uma resposta de João
- Não boto bomba em banca de jornal
Nem em colégio de criança
Isso eu não faço não
E não protejo general de dez estrelas
Que fica atrás da mesa com o cu na mão
E é melhor o senhor sair da minha casa
Nunca brinque com um peixes de ascendente escorpião
Mas antes de sair, com ódio no olhar
O velho disse:
- Você perdeu a sua vida, meu irmão!
- Você perdeu a sua vida, meu irmão!
- Você perdeu a sua vida, meu irmão!
Essas palavras vão entrar no coração
- Eu vou sofrer as conseqüências como um cão.
Não é que o Santo Cristo estava certo
Seu futuro era incerto
E ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira
Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar
Falou com Pablo que queria um parceiro
Que também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia
E Santo Cristo revendia em Taguatinga
Mas acontece que um tal de Jeremias
Traficante de renome apareceu por lá
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que com João ele ia acabar.
Mas Pablo trouxe uma Winchester 22
E Santo Cristo já sabia atirar
E decidiu usar a arma só depois
Que Jeremias começasse a brigar
Jeremias maconheiro sem vergonha
Organizou a Roconha e fez todo mundo dançar
Desvirginava mocinhas inocentes
E dizia que era crente mas não sabia rezar
E Santo Cristo há muito não ia pra casa
E a saudade começou a apertar
- Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já está em tempo de a gente se casar
Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia Jeremias se casou
E um filho nela ele fez
Santo Cristo era só ódio por dentro
E então o Jeremias pra um duelo ele chamou
- Amanhã, as duas horas na Ceilândia
Em frente ao lote catorze é pra lá que eu vou
E você pode escolher as suas armas
Que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor
E mato também Maria Lúcia
Aquela menina falsa pra que jurei o meu amor
E Santo Cristo não sabia o que fazer
Quando viu o repórter da televisão
Que deu notícia do duelo na TV
Dizendo a hora o local e a razão
No sábado, então as duas horas
Todo o povo sem demora
Foi lá só pra assistir
Um homem que atirava pelas costas
E acertou o Santo Cristo
E começou a sorrir
Sentindo o sangue na garganta
João olhou pras bandeirinhas
E o povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro
E pras câmeras e a gente da TV que filmava tudo ali
E se lembrou de quando era uma criança
E de tudo o que vivera até ali
E decidiu entrar de vez naquela dança
- Se a via-crúcis virou circo, estou aqui.
E nisso o sol cegou seus olhos
E então Maria Lúcia ele reconheceu
Ela trazia a Winchester 22
A arma que seu primo Pablo lhe deu
- Jeremias, eu sou homem. Coisa que você não é
E não atiro pelas costas, não.
Olha prá cá filha da puta sem vergonha
Dá uma olhada no meu sangue
E vem sentir o teu perdão
E Santo Cristo com a Winchester 22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
E morreu junto com João, seu protetor
O povo declarava que João de Santo Cristo
Era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia da cidade não acreditou na história
Que eles viram da TV
E João não conseguiu o que queria
Quando veio pra Brasília com o diabo ter
Ele queria era falar com o presidente
Pra ajudar toda essa gente que só faz
Sofrer"
sábado, 30 de outubro de 2010
Michel Foucault
![]() |
| Michel Foucault |
Nascido em 15 de outubro de 1926, na cidade de Poitiers na França, Michel pertencia à uma família tradicional de médicos. Sendo assim, não foi fácil para ele seguir outra carreira. Também não foi fácil ser homossexual numa família tradicionalmente católica e numa sociedade tão preconceituosa.
Sempre se interessou pelos estudos e destacou-se desde o começo de sua carreira universitária. Era considerado por seus professores como “a promessa de sua geração”. Cursou filosofia e psicologia na Escola Normal Superior de Paris. Era um acadêmico de prestígio, um professor querido, mas considerado “elitista” ao discutir com o governo o futuro da educação secundária e universitária da França. Tal postura, no contexto da Guerra Fria, permitia que os esquerdistas o considerassem como alguém que “renegava” Marx.
Escreveu várias obras ao longo de sua vida. Tentou suicido várias vezes e teve também contato com as drogas e as práticas sexuais sado-masoquistas (que influenciaram seu pensamento).
Então, no mês de junho de 1984, o filósofo foi vítima de um agravamento da AIDS, que provocou em seu organismo uma septicemia, levando-o à morte no dia 25 do referido mês, as 57 anos.
Pensamento:
Foucault é amplamente conhecido pelas suas críticas às instituições sociais, especialmente à psiquiatria, à medicina, às prisões, e por suas idéias e da evolução da história da sexualidade, as suas teorias gerais relativas à energia e à complexa relação entre poder e conhecimento, bem como para estudar a expressão do discurso em relação à história do pensamento ocidental, e tem sido amplamente discutido, a imagem da "morte do homem" anunciada em "As Palavras e Coisas", ou a idéia de subjetivação, reativada no interesse próprio de uma forma ainda problemática para a filosofia clássica do sujeito. Parece então que mais do que em análises da "identidade", por definição, estáticas e objetivadas, Foucault centra-se na "vida" e nos diferentes processos de subjetivação.
A obra de Friedrich Nietzsche (especialmente os textos que ele escreveu quase à beira da loucura) foi para Foucault uma iluminação. Nietzsche também lhe permitiu sentir-se mais seguro para elaborar seu ponto de vista singular. Como costuma acontecer com muitos jovens que se sentem incômodos em função de sua posição de estranho às normas e aos estilos que definem o grupo a que “pertence”, também para Foucault a obra de Nietzsche revelou o poder e o gozo de ser diferente.
O ponto de vista original que caracteriza a indagação foucaultiana, seu olhar pouco habitual no mundo do pensamento é, contudo, freqüente no universo da literatura. Se poderia dizer que Foucault é o mais literário dos filósofos e o mais filosófico dos escritores.
Foucault começa então, um período de abertura a todos os temas, a todas as formas de abordagem: os anos de 1970 serão de intensa aprendizagem e de elaboração apaixonada. Desenvolveu uma reflexão sobre o gozo por meio da dor. Porém, o enfoque que Foucault dá a questão, não é óbvio. Para o próprio filósofo, foi um problema chegar a pensar o sexual. Aí, ele se questiona por que a sexualidade é objeto de uma preocupação moral. Assim, sua obra foi se aproximando a seu ideal de vida: chegar a ser o que verdadeiramente se é. Ao mesmo tempo em que o sério Foucault – o que havia negado a importância da vida para a obra – foi capaz de ir deixando de lado seus próprios temores e se atreveu a manifestar-se, começou a importar-lhe não só para quem fala, mas como se vive uma experiência. Isto iluminou sua obra. Sua filosofia transformou-se naquilo que Sartre desejou produzir, mas não chegou a articular: uma ética.
A ética de Foucault nasceu quando, em sua reflexão, encontrou-se com seus mestres: os antigos gregos. Esta intensidade final, nascida do risco, outorga a sua obra uma consistência clássica. Talvez por isso suas idéias não pareceram correr o risco de desvanecer-se como um rosto de areia na beira do mar.
Obras mais importantes:
· Doença Mental e Psicologia, 1954;
· História da loucura na idade clássica, 1961;
· Nascimento da clínica, 1963;
· As palavras e as coisas, 1966;
.Arqueologia do saber, 1969;
· Vigiar e punir em 1975;
· História da Sexualidade (que ele não chegou a terminar devido sua morte, mas que fora publicada em três partes).
Outras obras:
· A vontade de saber; (1970-1971)
· Teorias e instituições penais; (1971-1972)
· A sociedade punitiva; (1972-1973)
· O poder psiquiátrico; (1973-1974)
· Os anormais; (1974-1975)
· Em defesa da sociedade; (1975-1976)
· Segurança, território e população; (1977-1978)
· Nascimento da biopolítica; (1978-1979)
· Microfísica do Poder; (1979)
· Do governo dos vivos; (1979-1980)
· Subjetividade e verdade; (1980-1981)
· A hermenêutica do sujeito; (1981-1982)
· Le gouvernement de soi et des autres; (1983)
· Le gouvernement de soi et des autres: le courage de la vérité; (1984)
· A Verdade e as Formas Jurídicas; (1996)
· A ordem do discurso; (1970)
· O que é um autor?; (1983)
· Coleção Ditos e escritos; (5 livros), (2006)
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Teste: hipóteses de um relacionamento amoroso
Nosso empresário (sim, nós temos um) comentou sobre um teste que foi noticiado na Globo e que pretendia colocar em jogo o grau de amizade, felicidade, cumplicidade e outros "ades" dos casais. Eu e minha parceira de blog colocaremos o teste aqui e logo abaixo de cada pergunta faremos nossos comentários super relevantes.
01. Numa forma de bolo, sobraram dois pedaços(um grande e um pequeno), você comeria:
a. o grande e deixaria o outro para ele.
b. o pequeno e deixaria o maior para o amado.
T: Se fosse de chocolate, comia o grande! Mas se fosse a Mari, acho que comeria tudo escondido. =P
M: Poxa, joga na cara que eu sou uma baleia, fica aí me difamando. Mas, se o bolo fosse bom, comeria o grande também.
T: Você é estilo saco sem fundo, tem fome como a Magali!
M: Compara o meu tamanho com o seu, preciso de sustância pra sobreviver.
T: =D hahaha
02. Se você se deparasse com o tênis de seu parceiro jogado no chão da sala, você:
a. gritaria até que ele viesse pegar o calçado.
b. guardava você mesmo, evitando brigas.
M: Não tenho moral pra reclamar de ninguém no quesito organização, sou um desastre. Minha ação seria chutar o sapato para fora do caminho :p
T: Também deixaria o sapato lá, tiraria somente se estivesse exalando odores desagradáveis (aí faria ele mesmo tirar). Um sapato jogado ou uma toalha molhada na cama ,por exemplo, não é motivo para brigas.
03. Se você desse um conselho, o dito cujo não seguisse e depois acabasse se ferrando, você:
a. consolaria seu amado.
b. diria que seu conselho deveria ter sido seguido.
M: Cinicamente consolaria mas, interiormente, pensaria "bem feito, ninguém mandou não me ouvir" (com aquela risada sórdida de fundo).
T: Bom, faria como a alternativa "b" dizendo " vai, trouxa, eu avisei!" e claro, ia rir na cara do idiota hehehe Ninguém mandou não me ouvir.
04. Se o seu "amor" levasse aquele tombo memorável, você:
a. o ajudaria prontamente a se levantar
b. caia na gargalhada
T: "B", com certeza e ainda diria " seu grande idiota!" hahhahha
M: "A".Como sempre tive a perna torta e levei vários tombos na infância, senti na pele como é se esfolar no asfalto #looser. E tem vezes que ainda insisto em relembrar essa infância. Mas estou de prova que a Tay riria muito =P
05. Ele chega com um hematoma muito estranho no pescoço e diz "eu cai na rua", você:
a. resolve investigar para ter certeza do que aconteceu
b. arma o maior barraco e pede o divórcio
M: Porra, hematoma no pescoço e diz que caiu na rua? Sério, que idiota acreditaria nisso hahaha só se fosse um replay de "Menina de Ouro" e o infeliz caísse com o pescoço em alguma quina e, mesmo assim, o infeliz ficaria em coma. Agora, aposto que a Tay não ligaria já que tem vária marcas no pescoço.
T: Hahaha, não sou infiel! =P Se bem que eu passaria um gelol no "feriemento". Depois, no outro dia, comentaria com um hematoma parecido no pescoço "nossa, amor, cai no mesmo lugar que você, passa gelol?".
Resultado: supostamente, quanto mais "a" melhor seu relacionamento estará (até parece que alguém acreditou nessa joça)
T=Tayla
M=Marianna
PS: ninguém aqui é muito bom de gramática, se virem e entendam com os erros mesmo.
01. Numa forma de bolo, sobraram dois pedaços(um grande e um pequeno), você comeria:
a. o grande e deixaria o outro para ele.
b. o pequeno e deixaria o maior para o amado.
T: Se fosse de chocolate, comia o grande! Mas se fosse a Mari, acho que comeria tudo escondido. =P
M: Poxa, joga na cara que eu sou uma baleia, fica aí me difamando. Mas, se o bolo fosse bom, comeria o grande também.
T: Você é estilo saco sem fundo, tem fome como a Magali!
M: Compara o meu tamanho com o seu, preciso de sustância pra sobreviver.
T: =D hahaha
02. Se você se deparasse com o tênis de seu parceiro jogado no chão da sala, você:
a. gritaria até que ele viesse pegar o calçado.
b. guardava você mesmo, evitando brigas.
M: Não tenho moral pra reclamar de ninguém no quesito organização, sou um desastre. Minha ação seria chutar o sapato para fora do caminho :p
T: Também deixaria o sapato lá, tiraria somente se estivesse exalando odores desagradáveis (aí faria ele mesmo tirar). Um sapato jogado ou uma toalha molhada na cama ,por exemplo, não é motivo para brigas.
03. Se você desse um conselho, o dito cujo não seguisse e depois acabasse se ferrando, você:
a. consolaria seu amado.
b. diria que seu conselho deveria ter sido seguido.
M: Cinicamente consolaria mas, interiormente, pensaria "bem feito, ninguém mandou não me ouvir" (com aquela risada sórdida de fundo).
T: Bom, faria como a alternativa "b" dizendo " vai, trouxa, eu avisei!" e claro, ia rir na cara do idiota hehehe Ninguém mandou não me ouvir.
04. Se o seu "amor" levasse aquele tombo memorável, você:
a. o ajudaria prontamente a se levantar
b. caia na gargalhada
T: "B", com certeza e ainda diria " seu grande idiota!" hahhahha
M: "A".Como sempre tive a perna torta e levei vários tombos na infância, senti na pele como é se esfolar no asfalto #looser. E tem vezes que ainda insisto em relembrar essa infância. Mas estou de prova que a Tay riria muito =P
05. Ele chega com um hematoma muito estranho no pescoço e diz "eu cai na rua", você:
a. resolve investigar para ter certeza do que aconteceu
b. arma o maior barraco e pede o divórcio
M: Porra, hematoma no pescoço e diz que caiu na rua? Sério, que idiota acreditaria nisso hahaha só se fosse um replay de "Menina de Ouro" e o infeliz caísse com o pescoço em alguma quina e, mesmo assim, o infeliz ficaria em coma. Agora, aposto que a Tay não ligaria já que tem vária marcas no pescoço.
T: Hahaha, não sou infiel! =P Se bem que eu passaria um gelol no "feriemento". Depois, no outro dia, comentaria com um hematoma parecido no pescoço "nossa, amor, cai no mesmo lugar que você, passa gelol?".
Resultado: supostamente, quanto mais "a" melhor seu relacionamento estará (até parece que alguém acreditou nessa joça)
T=Tayla
M=Marianna
PS: ninguém aqui é muito bom de gramática, se virem e entendam com os erros mesmo.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Ausência
Teus lábios já silenciaram-se
Teu calor se ausentou de ti
E eu permaneci aqui!
Com a dor dos que ainda não se calaram.
Guardarei teus resquícios, tua ausência,
Pois você habitará minhas memórias
Em silêncio, lágrimas e versos.
Teu veredicto fostes o túmulo,
Mas não tema teu destino
Oh! Meu doce cadáver!
Viestes homem, frágil criatura!
E teu silêncio agora permite-me dizer:
Vai! Que nosso encontro é certo!
Meu respirar é um prelúdio
Dessa verdade derradeira,
Misteriosa e certa
Objetiva e gélida, morte!
Teu calor se ausentou de ti
E eu permaneci aqui!
Com a dor dos que ainda não se calaram.
Guardarei teus resquícios, tua ausência,
Pois você habitará minhas memórias
Em silêncio, lágrimas e versos.
Teu veredicto fostes o túmulo,
Mas não tema teu destino
Oh! Meu doce cadáver!
Viestes homem, frágil criatura!
E teu silêncio agora permite-me dizer:
Vai! Que nosso encontro é certo!
Meu respirar é um prelúdio
Dessa verdade derradeira,
Misteriosa e certa
Objetiva e gélida, morte!
Ártico
Branca bruma espessa e fria
Que ocultava minha face,
Desvendou-me por inteiro
Desnudou meu coração.
Fui fantasma, sou tesouro,
Nova fronteira militar.
Avançam duzentas milhas
Pra me invadir, me explorar.
Meu degelo já previa
Disputas por ambição
Petróleo, gás e dinheiro.
Pesquisas, intervenção.
Esperança para o Ártico
O ouro branco da nação.
Que ocultava minha face,
Desvendou-me por inteiro
Desnudou meu coração.
Fui fantasma, sou tesouro,
Nova fronteira militar.
Avançam duzentas milhas
Pra me invadir, me explorar.
Meu degelo já previa
Disputas por ambição
Petróleo, gás e dinheiro.
Pesquisas, intervenção.
Esperança para o Ártico
O ouro branco da nação.
domingo, 24 de outubro de 2010
Relicário
Ali, com seu corpo desfalecido em meus braços, a dor era insuportável. Sua mórbida face não lembrava em nada a vivacidade do homem que tanto batalhara, que tanto cuidara de mim, não honrava a imagem de meu pai!
Resoluta, enterrei-o e dediquei-lhe algumas lágrimas. Era tudo o que podia fazer naquele momento, mas jurei vingar sua morte.
O tempo ia passando e eu procurava tirar proveito das mudanças que me ocorriam, sem perder tempo maldizendo a vida. Passei a morar na choupana de uma velha parteira, que me aceitara como aprendiz. Aprendi mais do que a fazer partos, aprendi também a caçar, a conhecer os vários tipos de plantas dali e a não me importar em ser chamada de bruxa.
A choupana ficava afastada da vila, na floresta, e eu me sentia um pouco desconfortável ao ir até lá fazer compras. Os olhares daquelas pessoas, impiedosos, pareciam flechas, mortíferas e certeiras.
Foi numa dessas vezes, quando precisei comprar uma fazenda de veludo, que avistei os olhos mais belos da região. Eram olhos profundos e sinceros, que não me desprezavam. Eram os olhos de um cavaleiro da guarda, que mesmo proíbidos, me seguiam.
Os dias se passavam normalmente, sem que eu pudesse me esquecer daqueles olhos. Até porque o tal cavaleiro, Álvaro, como vim saber depois, me velava todas as noites, cavalgando solitário pela floresta.
Estava cada vez mais apaixonada, entorpecida. Incapaz de me conter, esperei que viesse a noite e ela trouxesse meu cavaleiro. Ela o trouxe, e nos presenteou com um luar especialmente belo.
Ao ver-me ali prostrada, incapaz de qualquer reação, ele sorriu, desmontou e veio ao meu encontro. Beijei-o como se aquele fosse nosso último encontro, com paixão e com saudade. O resto daquela noite foi incrivelmente perfeito, tudo transcorreu de uma forma que eu nunca ousara idealizar.
A noite se foi e a aurora anunciava tristemente meu destino. Despedimo-nos com um beijo e eu voltei para casa. A velha chamava-me desesperada, e apertou minha mão quando aproximei-me dela. Ela balbuciava frases desconexas, mas pude compreender algo como "promessa cumprida", "possível herdeiro" e "destino". Fechou os olhos e deixou-se morrer. Enterrei-a ao lado da sepultura de meu pai.
Nisso, Álvaro adentrou a choupana e avisou-me, um tanto perturbado, que partiria. Fora convocado para outra batalha. Ainda entregou-me um relicário, uma jóia que pertencera a um antigo amigo da guarda, morto recentemente por um ladrão e devidamente vingado. Beijou-me como que despedindo-se e partiu dizendo um adeus solene.
Atordoada com tantos fatos, acabei reconhecendo aquele relicário como sendo de meu pai, o que me deixou perplexa!
Foi então que as palavras da velha pareceram-me muito claras. Minha promessa de vingança fora cumprida e meu destino agora era esperar pelo possível herdeiro de um amor que me ligava a dois grandes homens. Os quais eu carregaria para sempre no coração e naquele antigo relicário.
Resoluta, enterrei-o e dediquei-lhe algumas lágrimas. Era tudo o que podia fazer naquele momento, mas jurei vingar sua morte.
O tempo ia passando e eu procurava tirar proveito das mudanças que me ocorriam, sem perder tempo maldizendo a vida. Passei a morar na choupana de uma velha parteira, que me aceitara como aprendiz. Aprendi mais do que a fazer partos, aprendi também a caçar, a conhecer os vários tipos de plantas dali e a não me importar em ser chamada de bruxa.
A choupana ficava afastada da vila, na floresta, e eu me sentia um pouco desconfortável ao ir até lá fazer compras. Os olhares daquelas pessoas, impiedosos, pareciam flechas, mortíferas e certeiras.
Foi numa dessas vezes, quando precisei comprar uma fazenda de veludo, que avistei os olhos mais belos da região. Eram olhos profundos e sinceros, que não me desprezavam. Eram os olhos de um cavaleiro da guarda, que mesmo proíbidos, me seguiam.
Os dias se passavam normalmente, sem que eu pudesse me esquecer daqueles olhos. Até porque o tal cavaleiro, Álvaro, como vim saber depois, me velava todas as noites, cavalgando solitário pela floresta.
Estava cada vez mais apaixonada, entorpecida. Incapaz de me conter, esperei que viesse a noite e ela trouxesse meu cavaleiro. Ela o trouxe, e nos presenteou com um luar especialmente belo.
Ao ver-me ali prostrada, incapaz de qualquer reação, ele sorriu, desmontou e veio ao meu encontro. Beijei-o como se aquele fosse nosso último encontro, com paixão e com saudade. O resto daquela noite foi incrivelmente perfeito, tudo transcorreu de uma forma que eu nunca ousara idealizar.
A noite se foi e a aurora anunciava tristemente meu destino. Despedimo-nos com um beijo e eu voltei para casa. A velha chamava-me desesperada, e apertou minha mão quando aproximei-me dela. Ela balbuciava frases desconexas, mas pude compreender algo como "promessa cumprida", "possível herdeiro" e "destino". Fechou os olhos e deixou-se morrer. Enterrei-a ao lado da sepultura de meu pai.
Nisso, Álvaro adentrou a choupana e avisou-me, um tanto perturbado, que partiria. Fora convocado para outra batalha. Ainda entregou-me um relicário, uma jóia que pertencera a um antigo amigo da guarda, morto recentemente por um ladrão e devidamente vingado. Beijou-me como que despedindo-se e partiu dizendo um adeus solene.
Atordoada com tantos fatos, acabei reconhecendo aquele relicário como sendo de meu pai, o que me deixou perplexa!
Foi então que as palavras da velha pareceram-me muito claras. Minha promessa de vingança fora cumprida e meu destino agora era esperar pelo possível herdeiro de um amor que me ligava a dois grandes homens. Os quais eu carregaria para sempre no coração e naquele antigo relicário.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Difícil trajetória
Febo irradia, ilumina a terra, os pastos, as cidades e a lua
Ártemis caçadora, guerreira do luar, dama da noite
Sol e Lua, uma estrela e um satélite
Sós, únicos e cegos
Sovinas parcas, manejando os fios e os vindouros
Terminus insistindo em demarcar limites, fronteiras...
Jano abrirá as porteiras do céu quando o primeiro mês, nomeado em sua honra, concretizar o antigo ano
E nós, Sol e Lua, devemos permanecer vazios até lá
Como vagas que esperam o estacionar do sege
Jano abriu os portões, Cloto, Láquesis e Átropos subitamente começaram o tecer do destino, atrapalhando nossas convicções e confundindo nossos pensamentos
Eros já terminou seu trabalho, fomos presos
E aqueles que permaneceram separados desde sua criação, deverão agora manifestar a mais bela criação da natureza. Seu palco é o céu: o eclipse.
E assim permanerão juntos por pouco tempo, talvez minutos, talvez horas mas nunca dias e Terminus, o perverso, voltará a construir estradas, muralhas e veredas entre nós.
Não se preocupe, Febo, o tempo e a espera cruzarão nossos cursos
Mas só a coragem nos unirá novamente
Ártemis caçadora, guerreira do luar, dama da noite
Sol e Lua, uma estrela e um satélite
Sós, únicos e cegos
Sovinas parcas, manejando os fios e os vindouros
Terminus insistindo em demarcar limites, fronteiras...
Jano abrirá as porteiras do céu quando o primeiro mês, nomeado em sua honra, concretizar o antigo ano
E nós, Sol e Lua, devemos permanecer vazios até lá
Como vagas que esperam o estacionar do sege
Jano abriu os portões, Cloto, Láquesis e Átropos subitamente começaram o tecer do destino, atrapalhando nossas convicções e confundindo nossos pensamentos
Eros já terminou seu trabalho, fomos presos
E aqueles que permaneceram separados desde sua criação, deverão agora manifestar a mais bela criação da natureza. Seu palco é o céu: o eclipse.
E assim permanerão juntos por pouco tempo, talvez minutos, talvez horas mas nunca dias e Terminus, o perverso, voltará a construir estradas, muralhas e veredas entre nós.
Não se preocupe, Febo, o tempo e a espera cruzarão nossos cursos
Mas só a coragem nos unirá novamente
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Estresse além da compreensão
Atenção: post desabafo, pare aqui antes que sua integridade mental e psíquica seja afetada, se continuar o problema é inteiramente seu. Bem vindo ao mundo meu fatalista/pessimista/depressivo.

Administrar meu tempo sempre foi uma tarefa árdua, creio que essa nunca foi uma grande habilidade minha. Serei sincera ao dizer que procrastinar é uma das palavras que, entre tantas outras como tímida, séria, anti-social e pessimista caem em mim como uma luva.
Estar escrevendo ao som de uma cantora gospel (pra quem não sabe, there is a fuckin' church next to my house) também não está ajudando no que muitos chamam de processo criativo. O fato é que minha atenção que antes era concentrada em futilidades-amenidades-inutilidades como novas edições de mangás shoujo, livros marxistas, gastar minha grana com doces e pirataria, ficar horas filosofando sobre como o Johnny Depp é maravilhoso, estudar, debater política, ter overdoses auditivas ouvindo música a tarde inteira, curtir o ócio, comer e dormir já era, se esfarelou e foi pro ralo.
Passei de gorda para "anoréxica" em menos de três meses (é o que me dizem), os mangás já não são mais um vício, faz tempo que não compro novos DVD's, estou me fodendo legal no colégio, durmo menos de 5 horas por dia mas, se pudesse, dormiria o dia todo para escapar dos meus pensamentos que, infelizmente ou felizmente, só revertem para um mesmo assunto e, em especial, para uma pessoa.
Eu poderia comprar uma garrafa de Rum e me embebedar mas, até parece que eu, com esse jeito boa moça (não consigo mudar, infelizmente), beberia alguma coisa até cair na sarjeta. Penso que sou somente mais uma adolescente revoltada com as situações incômodas que a vida subitamente resolveu colocar como obstáculo.
Cortei o cabelo bem curto porque é isso que faço quando estou extremamente irritada e nervosa. Minha família gostou e eu achei uma merda, interessante contradição já que, só eu gosto de cabelo curto na família e é justamente eu que odiei e que agora quer pegar uma moto e ir de encontro a um muro de concreto a trezentos quilômetros por hora por ter conseguido piorar mais ainda minha "linda" aparência.
Como se não bastasse, ouvir músicas românticas/depressivas sobre paixões impossíveis e ler Caio Fernando de Abreu fazem com que eu me torne mais insana, se é que isso é possível. Já estou a um fio de atingir meus limites de estresse e não sei como será quando eu explodir mas, está na cara que vou me debulhar em prantos por mais ou menos cinco horas seguidas já que não é do meu feitio cometer a tão sonhada selvageria além da compreensão.
É foda e ninguém, absolutamente ninguém se importa.

Administrar meu tempo sempre foi uma tarefa árdua, creio que essa nunca foi uma grande habilidade minha. Serei sincera ao dizer que procrastinar é uma das palavras que, entre tantas outras como tímida, séria, anti-social e pessimista caem em mim como uma luva.
Estar escrevendo ao som de uma cantora gospel (pra quem não sabe, there is a fuckin' church next to my house) também não está ajudando no que muitos chamam de processo criativo. O fato é que minha atenção que antes era concentrada em futilidades-amenidades-inutilidades como novas edições de mangás shoujo, livros marxistas, gastar minha grana com doces e pirataria, ficar horas filosofando sobre como o Johnny Depp é maravilhoso, estudar, debater política, ter overdoses auditivas ouvindo música a tarde inteira, curtir o ócio, comer e dormir já era, se esfarelou e foi pro ralo.
Passei de gorda para "anoréxica" em menos de três meses (é o que me dizem), os mangás já não são mais um vício, faz tempo que não compro novos DVD's, estou me fodendo legal no colégio, durmo menos de 5 horas por dia mas, se pudesse, dormiria o dia todo para escapar dos meus pensamentos que, infelizmente ou felizmente, só revertem para um mesmo assunto e, em especial, para uma pessoa.
Eu poderia comprar uma garrafa de Rum e me embebedar mas, até parece que eu, com esse jeito boa moça (não consigo mudar, infelizmente), beberia alguma coisa até cair na sarjeta. Penso que sou somente mais uma adolescente revoltada com as situações incômodas que a vida subitamente resolveu colocar como obstáculo.
Cortei o cabelo bem curto porque é isso que faço quando estou extremamente irritada e nervosa. Minha família gostou e eu achei uma merda, interessante contradição já que, só eu gosto de cabelo curto na família e é justamente eu que odiei e que agora quer pegar uma moto e ir de encontro a um muro de concreto a trezentos quilômetros por hora por ter conseguido piorar mais ainda minha "linda" aparência.
Como se não bastasse, ouvir músicas românticas/depressivas sobre paixões impossíveis e ler Caio Fernando de Abreu fazem com que eu me torne mais insana, se é que isso é possível. Já estou a um fio de atingir meus limites de estresse e não sei como será quando eu explodir mas, está na cara que vou me debulhar em prantos por mais ou menos cinco horas seguidas já que não é do meu feitio cometer a tão sonhada selvageria além da compreensão.
É foda e ninguém, absolutamente ninguém se importa.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Os mais sexys (e talentosos)
Categoria Atriz
Michelle Rodriguez

Monica Bellucci
(Especialmente para Mari)

Catherine Zeta Jones

Penélope Cruz
Michelle Rodriguez

Monica Bellucci
(Especialmente para Mari)

Catherine Zeta Jones

Penélope Cruz
Assinar:
Postagens (Atom)
